DISCURSO DO SECRETÁRIO-GERAL NO DIA DA PUBLICAÇÃO DA PÁGINA ATE

1 de março de 2018

Caros Amigos

 

A imagem de um mundo multifacetado anuncia o texto da publicação na Página Ate. É o anúncio da Página na Internet de uma associação sindical que quer entender o mundo e o vê complexo e fragmentado. As instituições tradicionais estão a falhar e não acompanham a mudança da geometria do mundo. As organizações sindicais sofrem do mesmo mal. A deterioração acelerada das relações de trabalho e as tendências de precarização dos postos de trabalho afastam os trabalhadores dos sindicatos. Os sindicatos demoram a adaptar-se aos novos tempos e não inovam na linguagem e no vocabulário utilizado. Os chavões nas manifestações em defesa dos direitos dos trabalhadores são repetições do tempo da industrialização e dos operários das fábricas. As reivindicações laborais e os direitos sociais são ultrapassados pela velocidade estonteante da economia global e competitiva. E os sindicatos constroem os seus discursos em alicerces de uma mentalidade economicista que não os aceita e repudia.

É imperioso criar um mundo novo, em que a imagem de movimentos poliédricos sejam a marca do novo sindicalismo. Não basta sobreviver à espuma dos dias, é preciso alargar horizontes, usar novas plataformas de comunicação e de informação, inovar no discurso e na linguagem, combater as desigualdades e o afastamento cada vez maior entre quem pode e quem obedece.

O mundo mudou muito. As classes médias, mais cultas e instruídas, deixaram-se enredar numa armadilha que as isolou do resto da sociedade. Aquilo que parecia a conquista natural de direitos e a garantia de uma boa qualidade de vida, ganhou a denominação de direitos adquiridos que é preciso combater. E as classes médias, surpreendidas por terem chegado àquele ponto, viram-se remetidas ao papel reivindicativo de se agarrarem a uma tábua de salvação para evitar o naufrágio. E vão-se conseguindo pequenas vitórias. Mas o processo é imparável: o afogamento demora mais um pouco, mas está em curso, e já muita gente engoliu água. As classes médias já nem esperneiam e, não raramente, defendem-se da pior maneira: em vez de procurarem de novo o lugar cimeiro que a cultura e a instrução lhes dava, entraram no jogo dos poderosos das sociedades atuais, emersas em economicismos e em competição desenfreada. As classes médias não têm deixado claro que o seu papel social não se conforma com o imediatismo dos resultados  e com a exigência de prémios de produtividade. É um trabalho cujos frutos se vão colher mais tarde. E a sabedoria de os colher apenas quando estão maduros vai-se perdendo.

Vive-se a ilusão de que tudo fica resolvido em troca de um prato de lentilhas. Basta assinar uma declaração de compromisso e tudo fica resolvido. Mas hoje os contratos e os acordos são mais complexos e estão recheados de letras pequeninas que escapam aos mais incautos. E as vitórias conseguidas rapidamente se transformam em vitórias de Pirro, porque as letras escritas não queriam dizer exatamente aquilo que foi lido. E o que parecia uma conquista esboroa-se em fastidiosas reuniões de negociação que fazem perder o fio à meada. Já ninguém sabe em que ponto estávamos quando começou o processo negocial.

Estas situações não deviam escapar aos sindicatos. Mas têm escapado, até porque, mesmo que inadvertidamente, passaram a entrar no mesmo jogo: as regras são as mesmas, o código é o mesmo, os interesses são os mesmos. Inconscientemente, ou não, os sindicatos passaram a ser apenas mais uma peça do intrincado jogo político e partidário.

As comunidades profissionais estão hoje mais reverenciais e disciplinadas, como nunca estiveram, nem mesmo no auge do surgimento dos primeiros movimentos sindicais. Há um respeito dogmático por quem detém o poder. Hoje a tarefa intelectual mais valorizada é saber esperar. Esperar pelas regras, pelas ordens, pelas cartas de esclarecimento, e obedecer. Muitas vezes sem entender nada. Mas isso não preocupa ninguém: depressa chegarão notas informativas, despachos orientadores, que facilitarão a obediência. E, se alguma voz se levanta, indignada, porque as informações e esclarecimentos não respeitam a lei, a ordem instituída, começam os sussurros: «ainda te vais tramar, cala-te, assim é melhor, é o menos mau para nós!» Não há comunicação. Não se conhece a linguagem porque ela não existe. Há um emissor – vá, podem ser dois ou três – e milhares de recetores. Mas não há mensagem, não há signos, há apenas ordens de comando.

A Associação dos Trabalhadores da Educação não se conforma com esta situação. Somos apenas um pequeno polígono do poliedro e é cada vez mais difícil acompanhar o movimento giratório. Mas queremos fazer diferente. Por isso, escolhemos as plataformas digitais como veículo da nossas ideias e objetivos. Estaremos nas redes sociais, contactaremos as pessoas através das novas tecnologias, utilizaremos newsletters e boletins digitais para divulgação, criaremos uma aplicação que simplifica o acesso aos conteúdos emergentes e, também, publicaremos a Página da Ate na Internet. A página engloba várias áreas, informação destinada aos trabalhadores da educação, os horizontes da educação, a formação, as notícias e publicações, especificamente sobre educação e outros temas com ela relacionados,  departamento jurídico.

Pretendemos que a Página da Ate dê a imagem de um sindicato moderno que rejeita ser uma organização em pirâmide, centralizada, burocrática e rígida. É uma organização que pretende formular os seus objetivos no sentido de ir ao encontro de uma atividade sindical  mais dinâmica, mais flexível, menos fechada em quatro paredes de gabinetes ocupados por agentes de negociação.

A imagem de um sindicato abrangente que recebe todos os trabalhadores da educação, assistentes operacionais, os assistentes técnicos, os docentes, os técnicos e docentes de AEC, os técnicos profissionais de educação, os técnicos especializados, os técnicos superiores de educação, etc..

A imagem de um sindicato independente, apartidário, distante de movimentos políticos e tendências sectárias e ordenadas. Temos duas exigências fundamentais: a defesa da Educação e a defesa da Escola Pública.

A imagem de um sindicato renovado que aposta em novas formas de informação e formação e em plataformas de comunicação digitais.

A imagem de um sindicato exigente que pautará o seu exercício sindical por uma orientação reivindicativa, sem esquecer que a nova realidade social e económica precisa de novos caminhos e novas soluções, também no mundo sindical.

Finalmente, a imagem de um sindicato de todos. A nossa ação sindical será o resultado de uma verdadeira negociação com os nossos associados e com os trabalhadores da educação em geral. Acreditamos naqueles que queremos servir. Por isso, apostamos na comunicação constante entre todos, recebendo sugestões, ouvindo as críticas, transmitindo as nossas ideias, registando as propostas. O código de conduta da ATE será o resultado do discurso e da linguagem de todos.

Queremos que a Página da Ate seja um primeiro passo. Muitos outros há para dar. Neste momento, já seria fantástico se ela significasse o primeiro gesto de alguém que pára com a mão a ameaça de queda em cascata das peças que formam a nossa vida em sociedade.

 

Bem hajam. Muito obrigado, saudações sindicais.

DISCURSO DO SECRETÁRIO-GERAL NA ABERTURA DO VIII CONGRESSO DA ATE

4 de março de 2017

Caros Amigos,

 

O ano de 2016 revelou-se um ano profícuo na atividade sindical da nossa Associação. Poderemos afirmar que foi um ano de reafirmação da renovação que prevíramos no ano passado. A equipa que dirigiu o sindicato fez um trabalho extraordinário, não só no cumprimento escrupuloso da estratégia que definimos, mas também, e não menos importante, na capacidade de negociação e de visão de um futuro promissor para a Associação dos Trabalhadores da Educação.  Reforçaram-se os laços de confiança e de lealdade entre as pessoas o que contribuiu para que se mantivesse uma direção empenhada e coesa. Mantivemos o espírito de equipa, de cooperação e de lealdade, sem os quais não seria possível levar a cabo o nosso trabalho. Mantivemos os nossos princípios e objetivos programáticos, no cabal cumprimento dos nossos Estatutos.

O ano de 2016 foi um ano de verdadeira preparação do novo futuro da ATE. Desde junho que os membros dirigentes da ATE se têm desdobrado em contatos, em reuniões com outras organizações de trabalhadores que permitiram alargar os horizontes da nossa associação, dando-lhe um novo fôlego para levar a cabo o seu trabalho na defesa dos trabalhadores e da Educação em Portugal.

O período final do ano de 2016 foi utilizado para preparar o VIII Congresso da ATE que finalmente se realiza hoje, 4 de março de 2017. Será o momento de, com uma equipa renovada que norteará a sua ação pelos princípios de qualidade, excelência e elevada competência, concretizar os novos rumos que a ATE abraçou.

Para isso conto com a confiança e o apoio dos delegados da ATE.

Mas o Congresso que hoje se realiza não é simplesmente o corolário de um trabalho que se arrasta há mais de meio ano. É, outrossim, o início de uma nova etapa que marcará o nosso futuro sindical e para a qual solicito a colaboração de todos.

Estou certo, o ano de 2017 será um excelente ano para a Associação dos Trabalhadores da Educação. Muito obrigado a todos. Bem hajam.

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Responderemos a todas as vossas questões!